Inovação e pesquisa
Da universidade ao mercado: como a ciência gera valor
Uma conversa sobre os caminhos entre descoberta, aplicação, adoção e impacto social.
Toda vez que alguém me pergunta por que tanta pesquisa boa não chega às pessoas, eu respondo com outra pergunta: quem ficou responsável pelo caminho entre o artigo publicado e o problema resolvido? Quase sempre a resposta é ninguém.
Descobrir não é o mesmo que aplicar
A universidade é muito boa em descobrir. Ela tem método, rigor e gente apaixonada por perguntas difíceis. Mas descobrir é só a primeira etapa. Depois vem aplicar, que é testar a descoberta fora das condições ideais do laboratório. Depois vem adotar, que é convencer alguém a usar. E só então vem o impacto.
Cada uma dessas etapas pede habilidades diferentes. Quem é ótimo em descobrir nem sempre gosta de negociar, vender ou explicar para quem não é da área. E está tudo bem. O problema é quando ninguém faz essa parte.
Valor é uma pergunta, não uma promessa
No meu mestrado eu estudo exatamente isso: a viabilidade comercial e o impacto socioeconômico de uma tecnologia. A primeira lição é que valor não se anuncia, se investiga. Quem paga? Quem usa? O que essa pessoa usa hoje no lugar? O que ela perde se nada mudar?
Essas perguntas parecem simples, mas mudam a forma como um grupo de pesquisa enxerga o próprio trabalho. Elas aproximam o laboratório de quem vive o problema.
Três atitudes que encurtam o caminho
- Converse com quem vai usar antes de terminar o projeto, não depois.
- Explique o resultado em uma frase que um gestor entenda sem glossário.
- Procure parceiros fora da sua área cedo, quando ainda dá para ajustar a rota.
Ciência gera valor quando alguém assume a ponte. Eu escolhi ser essa ponte. E acredito que toda instituição pode formar gente disposta a atravessá-la.
